O boca mole andava quieto, mas resolveu dar o ar da graça.
Neste texto, não entra-se no mérito da questão se benefícios como o Auxílio Brasil (que a turma da canhota vai voltar a chamar de Bolsa Família) deveriam ou não estar dentro do teto de gastos. O que se questiona e se observa com preocupação é que o assunto é pauta de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), em tramitação no Congresso Nacional. Sendo assim, o "canetaço" do boca mole, praticamente, passa por cima do Poder Legislativo, importante ator no processo de discussão sobre e viabilidade ou não de alterações nas leis que regem a nação.
Interessante que o STF foi provocado a dar essa determinação a partir de um pedido da Rede Sustentabilidade, partido do senador Ranolfe Rodrigues, o "Saltitante". Até o momento, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, permanecem calados, assistindo passivamente suas respectivas casas legislativas serem pisadas pelo STF. Para o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o momento deve ser de alegria e de tranquilidade, uma vez que a determinação de Gilmar Mendes o coloca numa situação de conforto, pois não precisará mais negociar cargos para aprovar a PEC, podendo distribui-los de forma mais livre para a companheirada.
Há alguma irregularidade no que Gilmar Mendes fez? Não, não há, até porque o Judiciário foi "provocado" através do pedido da Rede. Mas, então, que mal há nessa decisão? Se o autor deste blog fosse um dos "iluminados" membros da suprema corte brasileira e fosse provocado a determinar que o Auxílio Brasil fosse retirado do teto de gastos, ele teria a sensatez de levar em consideração de que a matéria é alvo de tramitação de PEC no Congresso Nacional. Dessa forma, jogaria a bola quicando, ou a batata assando, para o Legislativo definir, respeitando o processo democrático já instaurado e em pleno gozo de seu rito. O boca mole não precisaria arranjar uma encrenca para o lado dele. Mas, como há uma série de interesses ocultos em nossa republiqueta, o caminho escolhido foi o do canetaço.
Essa ingerência dos poderes da República vai custar ainda muito caro para os brasileiros. Não se trata de narrativa clichê e sem fundamento, pois está aí, à vista de todos, a ditadura da toga instituída e em plena operação. Igualzinho foi na Venezuela.

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